Oi, queridos!

O livro em promoção desta semana, na Amazon, é Pecados e Desejos.

Para que conheçam melhor o enredo, coloco aqui para vocês um trecho bem quente! rsrs

Raoul Cavallo e Clarissa, um casal improvável e apaixonante. Uma história de descobertas, de desejo que vira amor, de uma ilha onde os destinos de uma mulher solitária, um homem apaixonante e um garotinho abandonado, se misturam e viram um só. Pecados e Desejos é um romance terno, erótico, com cenas únicas. Como o trecho abaixo.

Uma dança sensual … uma mescla de sentimentos … paixões à flor da pele …

Delicie-se!

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Capítulo 6

(…)

Tomei banho, fiz uma longa trança e coloquei um jeans um pouco melhor que eu tinha e uma camisa branca de botões. Para variar, deixei os tênis de lado e calcei sandálias rasteiras e com dedos de fora. Enquanto me olhava no espelho e passava umas gotas de perfume atrás da orelha, senti um estranho desejo de passar um batom, pôr algo mais feminino. Mas fiquei com raiva ao me dar conta que não devia querer agradar Raoul. Eu só ia pegar meu celular. Ponto final.

Saí de casa decidida a voltar logo. Estava tudo calmo e bem ali. Peguei a pick-up e fui para a cidade, tentando não ligar para o nervosismo e a ansiedade que não me deixavam em paz.

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Me surpreendi ao ver o centro da Ilha animado. Havia luzes para todo lado, música alta, roda gigante, gente indo e vindo. Consegui estacionar o carro em uma rua lateral e caminhei até a praça.

Apesar do dia ter ficado melhor que o anterior, sem chuva, havia um arzinho frio e me arrependi por não ter trazido um casaco. Esfreguei um pouco os braços arrepiados e me meti entre as pessoas que iam e vinham animadas, falantes, sentindo parte do calor humano.

Meus olhos registraram as barracas que vendiam comidas e bebidas, o parque armado mais a frente, o palanque montado no meio da praça onde um grupo tocava e apresentava um pagode ao vivo, enquanto o público dançava em um pista improvisada na frente. Mas tudo superficialmente, apenas com uma parte de mim. O resto da atenção se concentrava em olhar as pessoas, entre moradores e turistas, meu coração disparando com a ansiedade de ver Raoul entre eles a qualquer momento.

Segui em frente, até que cheguei em uma das laterais do palco. Em volta dele, barraquinhas onde se reuniam grupos de pessoas, que riam, conversavam e observavam o show e os outros dançando no meio. E foi quase em frente, do outro lado da pista, em uma dessas barracas, que eu vi Raoul. Meu olhar bateu nele e parou. Todo meu corpo reagiu na hora, quente, ardente, despertando como se tivesse sido ligado repentinamente em uma tomada. Contive o ar, mais nervosa do que pensei que ficaria, a respiração se tornando acelerada, o coração batendo como louco no peito.

Ele não tinha me visto, com o mar de pessoas entre nós. Por isso aproveitei para olhá-lo à vontade, sem qualquer controle da minha parte.

Estava com um grupo de amigos. Havia dois homens e quatro mulheres com eles. Raoul dizia algo e ria, de maneira aberta e divertida, fazendo gestos com as mãos. Dizer que estava lindo seria eufemismo. Seus cabelos estavam desalinhados, como sempre. Aprendi sobre ele três coisas: vivia passando a mão pelo cabelo, sem se importar se o despenteava. Adorava andar descalço em casa. E não era muito fã de fazer a barba todo dia, por isso quase sempre havia uma sombra em seu rosto. E tudo aquilo, tão dele, só o tornava mais sensual.

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Admirei-o por inteiro, mas seu sorriso me encantou, me deixou ali, parada, sem poder desgrudar os olhos dele. Sorria por inteiro, sem comedimento, os dentes brancos expostos, as ruguinhas em volta dos olhos se tornando mais pronunciadas, os olhos verdes ganhando um brilho especial.

Usava jeans, sapatos de couro confortáveis, uma camisa clara sob a jaqueta de couro marrom que caía divinamente em seu corpo. Percebi cada detalhe, desde os dois primeiros botões da camisa abertos até o pequeno cordão preto que envolvia seu pescoço bronzeado e caía no início do peito, entre os pelos escuros. Fiquei com água na boca só em vê-lo, o desejo vindo violento e voraz dentro de mim, deixando-me sem ar, sem chão.

Lembrei que aquele homem estivera dentro de mim, tinha me tornado mulher e me mostrado um prazer indescritível, que mesmo nos sonhos que tinha com ele não eram como a realidade. Ainda era difícil crer que eu, sempre tão fria e controlada, com minha vida sempre sob rédeas curtas, tinha ido para a cama de Raoul mais de uma vez. E se fosse sincera comigo mesma, vivia com o desejo de continuar lá. De procurá-lo mais vezes e me entregar, sem um pingo de reservas. Mas isso eu não faria.

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Observei-o melhor. Um homem do grupo, animado, com uma garrafinha de cerveja na mão, abraçou Raoul pelo ombro e disse algo ao grupo, que se divertia. Raoul riu alto, jogando a cabeça para trás, enquanto o homem também se acabava em risadas. Então, uma das mulheres que estava com eles, se aproximou de ambos, falou outra coisa, fazendo-os rir ainda mais.

Eu os invejei. Não lembro nunca de ter rido assim, tão livre e à vontade. Dificilmente saía com amigos e, quando o fazia, era sempre algo mais comedido, um jantar, assistir a uma peça de teatro, no máximo sorrisos.

A mulher apoiou a mão no peito de Raoul e mesmo de longe deu para sentir o clima no ar de sedução. Os olhos verdes dele estavam nela, enquanto o amigo tirava o braço do seu ombro e ia falar com os outros que os acompanhavam. Aproveitando a atenção, a mulher se aproximou ainda mais, cheia de charme, parecendo falar toda melosa. E Raoul a ouvia, ainda um sorriso nos lábios, mas algo nele tão viril e masculino deixando claro que notava como estava sendo olhado por ela. E retribuindo.

Fui invadida por uma onda incontrolável de ciúmes. Pelo que Jacqueline dissera, sabia que ele era mulherengo, que não tinha compromisso com ninguém. Na verdade, para mim devia ser promíscuo, um homem que se envolvia com mulheres casadas não podia ser boa coisa em meu discernimento. Mas vê-lo ali, parecendo tão pronto e atento naquela mulher, deixou-me furiosa, revoltada, com um sentimento de traição que eu soube que era ridículo, mas que não pude evitar de sentir.

Raoul a ouvia, enquanto ela continuava com a mão no peito dele, como se ajeitasse a gola de sua camisa, toda ronronante e com sorrisos sensuais. Percebi que era bonita, corpo curvilíneo em um vestido preto, botas e jaqueta jeans. Era morena, longos cabelos negros, traços belos como os de uma índia. O tipo de mulher que qualquer homem notaria,que parecia ser bem quente e sexy.

Ele disse algo, que fez com que ambos rissem. Então a morena segurou sua mão e o puxou, como se o convidasse e não aceitasse ser recusada. Para quê? Transar? Sair dali e se acabarem em uma cama ou em qualquer cantinho?

Senti um frio por dentro, uma sensação ruim que era quase uma dor. Tive uma vontade absurda de me aproximar, de atrapalhar, de fazer com que visse como eu o achava um mulherengo sem categoria. Não entendi a raiva absurda que me engolfou e cerrei os pulsos, deixando de ver todo o resto à minha frente.

No entanto, não se afastaram muito. Foram para a beira da pista de dança e Raoul segurou a mão dela e envolveu o outro braço em sua cintura. Começaram a dançar o pagode que tocava, ainda sorrindo e conversando, como se estivessem despreocupados, apenas aproveitando as coisas boas da vida.

Eu não esperava que ele soubesse dançar, mas sabia e muito bem. Era naturalmente charmoso, com ginga, movia-se com leveza ao ritmo da música que o grupo tocava ao vivo, levando-a consigo, girando suavemente, bem à vontade. Não era uma música muito rápida, mas gostosa e eles seguiram dançando bem, combinando em tudo, chamando a atenção de outras pessoas.

E foi assim, dançando, que os olhos de Raoul encontraram os meus, do outro lado da pista. Sob a cabeça da mulher, ele me viu e fiquei imobilizada, como que hipnotizada, sem poder nem ao menos respirar. Seu olhar se tornou mais intenso e profundo, não saiu do meu, algo nele mudando, mas não consegui especificar bem o que.

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Raoul continuou dançando, mas olhando para mim. Todo meu corpo reagia, saía da paralisia para ganhar força de repente, como se fosse envolvido por labaredas. O desejo por ele foi mais forte do que tudo, mesmo em meio à raiva estranha que sentia por estar com outra mulher e o ciúme que eu não queria admitir, mas que deixava meu lado racional revoltado.

Sorriu lentamente para mim e acenou de leve com a cabeça. Tentei reagir e estampei um ar ainda mais frio no rosto, que desmentia completamente o modo como eu me sentia. Ergui um pouco o queixo e acenei com a cabeça de leve. O sorriso dele ampliou-se, mas a mulher escolheu aquela hora para dizer algo, chamando-o.

Raoul a olhou e eu consegui me recuperar um pouco do encantamento que parecia ter jogado sobre mim. Saí do lugar e andei em volta da pista, ansiosa, sentindo uma raiva incontrolável que não consegui entender, tentando fingir que não estava ali só por ele, que poderia me distrair enquanto ele não se aproximava para dar meu celular.

Olhei as barracas, as pessoas, mas não vi nada. Perambulei, mal notando o que eu fazia, todo meu corpo pedindo para que me virasse e o olhasse de novo, enquanto lutava contra. Resisti até onde pude. Então percebi que estava mais perto de onde ele dançava e parei ali, buscando-o com o olhar.

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Fiquei estranhamente decepcionada ao notar que não olhava para mim. Sorria e falava com a morena, que parecia o ser mais feliz do mundo, toda cheia de charme e dentes, suas unhas vermelhas e compridas se destacando contra o ombro dele. Senti-me irritada, impaciente e parei, esperando que me fitasse para que eu pudesse pedir logo meu telefone e sair dali. Mas parecia ter esquecido que eu estava ali.

Pensei em me aproximar, mas não pude. Dei mais alguns passos, esperando a oportunidade certa, ansiosa e com uma raiva que não compreendia. Via claramente como se divertiam, até que a música acabou. O vocalista do grupo que tocava, agradecia a presença de todos e enumerava as atrações que a festa ainda teria. Aliviada, vi Raoul levar a mulher para o resto do grupo e dizer algo a eles.

Meu coração disparou loucamente quando seu olhar se voltou para mim, não onde eu estivera antes, mas onde estava agora, como se soubesse o tempo todo minha trajetória e tivesse ficado atento no que eu fazia. Então disse algo aos outros e veio na minha direção.

Fiquei imóvel, com raiva do meu corpo que reagia violentamente, cada célula parecendo gritar, respiração e coração incontroláveis, arrepios, um baque por dentro que me fez apertar os dedos contra as palmas das mãos. Fitei seus olhos penetrantes e aguardei, tentando ser pelo menos aparentemente normal.

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– Clarissa. – Parou a minha frente e fui envolvida de repente por seu perfume, seu cheiro particular e delicioso, que me desestruturou ainda mais. Engoli em seco, minha visão tomada pelos ombros largos, o peito bem diante dos meus olhos, aquele pedaço de pele bronzeada sob a camisa entreaberta no pescoço.

– Raoul. – Consegui falar, mas havia uma rouquidão esquisita na minha voz, como se nem ela eu pudesse controlar. Ergui um pouco mais o queixo, fitando seus olhos verdes, procurando uma maneira de escapar antes de perder o controle de vez. – Vim pegar meu celular.

– Eu sei. – Sorriu devagar e minhas pernas ficaram bambas. Por que o desgraçado tinha que ser tão bonito e sensual?

– Ótimo. Pode me entregar?

Seus olhos percorreram meu rosto, sem pressa. Contive a respiração quando desceram lentamente por meu pescoço e depois mais ainda. Meus mamilos, mesmo dentro do sutiã, ficaram ainda mais duros, pontudos. Fiquei vermelha ao imaginar que poderiam ser visualizados pela blusa branca, ainda mais quando ele disse baixo:

– Você está com frio.

Frio? Eu fervia e escaldava. Meu ventre se contorcia. Era um custo conter a respiração, fingir que era normal. Para minha completa vergonha, minha vagina latejava e fui envolvida pelas lembranças dele dentro de mim, o modo como me enchia toda, como entrava grosso e apertado, deixando-me sentir cada pedaço dele. Arfei de leve e o olhar de Raoul se tornou mais alerta, seus olhos escurecendo e apertando-se um pouco, como se pudesse sentir minha excitação e seu instinto de macho despertasse.

Não precisamos de muitas palavras. O desejo estava lá, pesando no ar entre nós, denso e voraz. Quis dizer algo, quebrar aquele clima, mas não consegui. Apenas nos olhamos, algo se inflamando, ficando latente. E arregalei os olhos quando Raoul começou a despir a jaqueta. Fiquei sem ação. Só consegui reagir quando veio ainda mais perto e colocou a jaqueta em volta de mim, dizendo um tanto rouco:

– Vista isso.

– Não, eu …

– Vista.

Por algum motivo, obedeci, enfiando os braços na jaqueta, inebriada pelo cheiro gostoso dele entranhado no tecido. Mas me vi murmurando:

– Não precisa. Já vou embora e …

– Vem dançar comigo. – Já segurava minha mão.

– O quê? – Arregalei os olhos, com raiva do desejo absurdo que despertava em mim e deixava meu raciocínio mais lento. Raoul já me puxava para a pista, mas parei, nervosa. – Não vou dançar. Só vim buscar …

– Eu sei, seu celular. Mas primeiro vamos dançar.

– Está louco? Não quero dançar. Nem sei como se dança pagode!

– Eu ensino. É só me acompanhar. – Estava à vontade, um leve sorriso nos lábios, como se eu o divertisse.

Fechei a cara, parada, minha mão ainda presa firmemente na dele, a jaqueta me engolindo.

– Não quero. Por que não volta a dançar com a sua amiguinha?

O sorriso de Raoul ampliou-se, mostrando os dentes brancos, as ruguinhas em volta dos olhos que os apertava um pouco, deixando o brilho ainda mais vivamente verde.

– Está com ciúmes, Clarissa?

– Eu? – Ri, como se fosse um absurdo. – Está louco?

– Então dance comigo. Depois dou o celular.

– Mas eu …

– Venha.

E já foi me levando. Soube que não desistiria.

– Droga … – Resmunguei, resolvendo aceitar e acabar logo com aquilo.

Nos metemos no meio das pessoas. Uma nova música começava, sensual e gostosa, num ritmo mais lento e romântico. Prendi o ar quando Raoul me puxou para mais perto, sua mão apoiando-se em minha cintura por dentro da jaqueta, a outra entrelaçando meus dedos, seu corpo quase tocando o meu. Quase. Senti ainda mais forte seu cheiro, com o rosto perto do seu pescoço, fitando o cordão curto e preto, a moedinha pendurada ali, a respiração dele na testa. E então moveu-se, levando-me com ele no ritmo envolvente do pagode.

– Gosto dessa música. Conhece? É do Grupo Revelação. – E como se já não estivesse satisfeito em me tornar uma massa trêmula de sensações, só piorou tudo ao cantar baixinho perto do meu ouvido, enquanto dançava tão próximo a mim: – “Fala baixinho que ninguém pode saber que a gente está aqui. Vamos com calma, de vagar, que desse jeito ninguém vai dormir. Sabe que a gente não escolhe hora nem lugar …

Raoul se calou, mas o estrago já estava feito. Fechei os olhos, abalada, envolvida, mergulhando na música que continuava e no calor dos braços dele. Não consegui mais lutar e me deixei levar, incrivelmente conseguindo acompanhar os passos dele, talvez por puro instinto ou simplesmente por não ter condições de resistir a mais nada.

Fui envolvida pelo ritmo, por ele, pela atração violenta que me deixava prostrada. Para piorar, prestei atenção na letra sensual e todo meu corpo entrou em ebulição.

 

Xiii… Fala baixinho que ninguém
Pode saber que a gente tá aqui
Xiii… Vamos com calma, devagar
Que desse jeito ninguém vai dormir

Sabe que a gente não escolhe hora e nem lugar
Junta a fome com a vontade de comer
Você me olha, morde os lábios pra me seduzir
E acende a luz pra ver desejo em minha cara

Xiii… Segura a fera, tem que ser devagarinho
Pra ninguém ouvir
Xiii… Vou pôr a mão na tua boca
Pro rugido não escapulir

(…)

Minha respiração saía em haustos pesados, entrecortados. Estremeci e sem nem notar me aproximei mais dele, como se buscasse mais de seu calor, de seu cheiro, de seu corpo. Raoul deslizou a mão dentro da barra da camisa, seus dedos se espalmando direto na pele nua da minha cintura, deixando-me toda arrepiada, ainda mais ligada pelo desejo violento. Puxou-me mais ainda contra seu corpo e perdi a noção de tudo quando meus seios roçaram seu peito e sua coxa musculosa penetrou entre as minhas, deixando-me muito consciente de sua ereção potente.

Rodei, girei, flutuei, dancei. Esqueci o mundo, meu nome, quem eu era, que devia de alguma maneira resistir. Minha mão em seu ombro subiu até a pele do seu peito e passei os dedos pelo cordão, metendo-os entre seus cabelos densos e macios, sem poder resistir em acariciar sua nuca. Senti os lábios sensuais em minha têmpora em um beijo suave, passando-os por meu cabelo, descendo um pouco mais perto da minha orelha. Era muita coisa ao mesmo tempo, muitas sensações e sentimento vorazes, irracionais.

Não sei como. Mas enquanto dançávamos, Raoul foi me levanto para longe dos outros e quando me encostou em uma lateral do palco, longe das pessoas que passavam, em um canto na penumbra, arregalei os olhos e ergui a cabeça, surpresa. A música continuava, mas ali éramos só nós dois.

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Fitou-me com os olhos verdes brilhando como os de um gato, suas pálpebras pesadas, o desejo expresso sem reservas ali. E não precisou dizer nada quando me pressionou contra a madeira do palco com seu corpo forte, beijando minha boca em um saque voraz, delicioso.

Abri os lábios e retribuí o beijo, sôfrega, sabendo que era aquilo que eu queria e ao mesmo tempo precisando desesperadamente de mais. Suguei sua língua, abracei-o forte, tentei fundi-lo em mim com gana de tê-lo inteiro, alucinada pelo tesão e pelos sentimentos que me consumiam viva, meus dedos enterrados em seus cabelos, como se o impedissem de fugir.

Mas Raoul não parecia disposto a fugir. Girou a língua na minha, conheceu cada recanto da minha boca, mordiscou meus lábios. Sua mão acariciou duramente meu seio sobre a blusa, a outra descendo em minha bunda, me erguendo um pouco e segurando para esfregar seu pau duro contra minha vagina palpitante através da roupa.

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Fiquei louca, ansiosa, desesperada por mais. Gemi e ronronei, despejei líquidos abundantes até empapar minha calcinha, ondulei contra seu corpo, como se implorasse por mais. E implorava mesmo, ansiava, arquejava com a lascívia violenta que me tornava um ser completamente instintivo.

O beijo era profundo, apaixonado, sensual. Nossos corpos pegavam fogo. Tínhamos perdido completamente a noção do lugar onde estávamos, até que um grupo de pessoas passou ali perto e assoviaram e riram, dizendo piadinhas. Demorei a me dar conta do fato, mas Raoul já afastava a cabeça e me fitava com olhar pesado. Disse rouco:

– Vamos sair daqui.

Eu não tinha condições de pensar ou lutar. Acenei com a cabeça e fui, quando segurou minha mão e me levou para longe.

Pisquei, sentindo o frio, enquanto nos afastávamos do local da festa, da música alta. No entanto, meu corpo ainda ardia de pura luxúria e eu me sentia dopada, perdida. Algum lado racional meu tentou me alertar de algumas coisas, mas estava cega e surda a tudo mais que não tivesse a ver com Raoul.

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Paramos em frente a uma moto grande, prata e preta, estacionada entre dois carros perto de um grupo de lojas fechadas aquela hora. Raoul pegou o único capacete que havia preso ali e me entregou, virando-se e me olhando enquanto montava na moto e levantava o descanso.

– Ponha isso, Clarissa. E venha atrás de mim.

Mordi os lábios, dando-me conta de outras coisas. Murmurei:

– Meu carro. Deixei meu carro aqui.

– Depois trago você para buscá-lo.Vem.

Fitei seus olhos verdes e engoli em seco, minha consciência perdendo na briga com o meu desejo. Um pouco desnorteada, segurei seus ombros largos e montei atrás dele, dizendo baixo:

– É a primeira vez.

– Estou gostando de ser o primeiro em tantas coisa na sua vida. – Disse baixo.

Corei e pus o capacete.

– Segure-se em mim.

– Tá. – Abracei-o pela cintura, ainda muito excitada, ansiando por um contato maior com ele.

Raoul ligou a moto, o motor rugiu e logo saía com ela, deslizando suavemente pela rua, afastando-nos do centro da cidade.

Respirei fundo, espalmando minhas mãos em sua barriga musculosa sobre a camisa, olhando para a paisagem que nos cercava, sentindo o vento frio contra o rosto. Apoiei-o contra suas costas e fiquei quietinha, estranhamente me sentindo protegida e feliz. Todas as minhas reservas pareciam esquecidas, enterradas bem fundo.

Uma garoa fina começou a cair, mas não me importei. Eu escaldava tanto de desejo que qualquer alívio era bem vindo. Mas a frieza das gotas contra nós não parecia surtir muito efeito.

Não demorou muito para a moto entrar no terreno da casa dele e parar na garagem, enquanto os portões automáticos se fechavam. Desci e tirei o capacete. Raoul desceu também, segurou minha mão e levou-me com ele para dentro da casa, largando o capacete e as chaves no aparador, seguindo para a sala.

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Surpreendi-me quando se encostou atrás de mim, ao lado de um móvel de madeira antigo, suas mãos indo para a frente do meu corpo. Tive espasmos no ventre, perdi o ar. Ele tirou a jaqueta que me envolvia e largou-a no chão. Subiu as mãos por meus ombros, sua boca chupando docemente o lóbulo da minha orelha enquanto seus dedos iam até meus cabelos e seguravam a trança longa em minhas costas. Soltou o elástico e suavemente começou a desfazer as tranças, murmurando rouco:

– Já disse que parece uma sereia com esse cabelo comprido e sedoso? E de como tenho sonhado em ter esses fios envolvendo minha pele enquanto como você?

Eu não tinha condições de responder. Meu coração batia descompassado, as pernas estavam bambas, meus olhos fixos em um ponto na frente, enquanto mordia os lábios. Senti seus dedos correrem ao longo do meu cabelo solto, que tinha ficado levemente ondulado. Sua língua lambeu o oco do meu ouvido e tremores me percorreram da cabeça aos pés, enquanto suas mãos iam para frente do meu corpo e passavam a desabotoar minha camisa branca.

– Adorei dançar com você. – Sussurrou. – Foi também o seu primeiro pagode?

– Sim. – Consegui arfar.

– Hum … – Abriu a camisa quase toda e segurou as abas, abrindo-a para os lados, enquanto eu fechava os olhos, muito excitada.

– Ah … – Gemi alucinada quando seus dedos foram para meus seios nus e os acariciaram com firmeza, esfregando meus mamilos, deixando-os ainda mais duros e empinados.

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– Pensei que seios fartos fossem os meus preferidos … – Disse baixinho, passando os polegares sobre eles, roçando o membro duro e grosso na minha bunda, mantendo-me firme entre seus braços. – Mas mudei de ideia. Adoro seus seios pequenos. Cabem direitinho nas minhas mãos, Clarissa.

– Raoul … – Supliquei, sem nem saber ao certo por que. Só que ele me deixava doida, fora de mim, a ponto de ter um orgasmo ali, somente com sua voz e seu toque.

Suas mãos escorregaram para baixo, abriram todos os botões. Tirou a blusa pelos meus braços e ela teve o mesmo destino que a jaqueta. Então foi a vez do sutiã, enquanto eu ficava quietinha, ansiosa e excitada, deixando que me despisse. E ele o fez, minha calça e calcinha, minhas sandálias, até que fiquei ali no meio da sala, completamente nua, só meus cabelos longos servindo como alguma proteção.

Mesmo invadida pela luxúria atormentadora, a timidez e a vergonha de mim mesma, minhas velhas conhecidas, deixaram-me tensa. Mais uma vez pensei o quanto gostaria de ser mais bonita para Raoul, menos magra, mais sensual. Mas permaneci quieta quando veio para a minha frente e começou a desabotoar sua camisa, seus olhos consumindo os meus, fazendo fogo varrer a minha pele.

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– Fique aqui, Clarissa.

Observei-o caminhar até uma mesinha e pegar um controle remoto. Ligou o aparelho de som e apertou alguns botões. Então largou o controle no lugar e voltou para perto de mim, tirando sua camisa e largando-a numa poltrona ao passar por ela. Não pude deixar de admirar seu peito, seus ombros, seus braços. Livrou-se dos sapatos e ficou apenas de calça, que desabotoou, mas não tirou.

– Dança comigo. – E naquela hora a música começou, o mesmo pagode que tínhamos dançado na cidade.

Senti o rosto ficar vermelho quando segurou minha mão e apoiou a outra em minha cintura, trazendo-me para ele, seus olhos cravados nos meus. Meu coração parecia prestes a sair pela boca.

– Estou nua. – Murmurei.

– Essa é a melhor parte. – Sorriu sensualmente. E moveu-se, colado em mim, ao som da música. Eu o acompanhei, arfante, excitada além do meu limite, sem poder fugir do seu olhar, mordendo o lábio inferior. Raoul observou o gesto. – Gosto quando faz isso.

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A música tinha um ritmo gostoso e ele moveu o quadril contra o meu, seu pau dentro da calça roçando diretamente minha vagina nua, toda melada. Meus seios estavam doloridos contra seu peito nu, os mamilos duros contra sua pele. Arquejei quando me girou suavemente, sua mão escorregando para minha bunda, agarrando um dos globos com firmeza enquanto me apertava ainda mais de encontro a protuberância de seu sexo e ao corpo musculoso.

Perdi de vez o ar e qualquer razão. Deixei que me lavasse, apertei meus dedos nos dele, estremeci de puro deleite, da voracidade do meu próprio desejo absurdo. Quando começou a cantar baixinho, na melodia, com a voz rouca, soube que estava completamente perdida. De quatro.

“Você me olha, morde os lábios pra me seduzir

Acende a luz pra ver desejo em minha cara

Xii … Segura a fera tem que ser devagarinho

Pra ninguém ouvir

Xii … Vou pôr a mão em tua boca

Pro desejo não escapulir …”

Parou de cantar um momento, o desejo e a fome espelhados em seus traços mais duros naquele momento, no franzir da sobrancelha, no modo como me olhava como se quisesse me engolir inteirinha. Senti que era verdadeiramente desejada e aquilo só aumentou ainda mais meu próprio prazer, minha entrega.

Ainda dançando, inclinou-me para trás e senti meus cabelos penduraram quando minha cabeça tombou, expondo minha garganta enquanto segurava com firmeza minhas costas. Quando sua boca se fechou sobre meu mamilo direito e sugou, estremeci fora de mim, gemendo alto em meio a música.

– Ahhhhhhhhh …Raoul …

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Chupou com firmeza, mamando duramente o brotinho, seu quadril roçando o meu num leve rebolado, enquanto o prazer absurdo, embriagante, me embalava. Perdi-me de vez nas sensações, tendo espasmos de volúpia, minha vulva palpitando de encontro ao membro que a forçava através da calça. Meu clitóris inchou, muito sensível, enquanto o mel descia de mim, se espalhava entre meus lábios vaginais e coxas.

Era demais para suportar, mas Raoul parecia querer tirar tudo de mim. Afastou a boca e me ergueu de novo, seus olhos em chamas verdes. Largou minha mão, segurando-me agora com firmeza pelas costas e pela bunda. Dançou no ritmo do pagode, minhas pernas bambas mal conseguindo acompanhar as dele, tudo em mim latejando, gritando ardendo. E ele continuou, cantando baixinho:

“Cara na cara, pele na pele

Suor pingando e o corpo em febre

Você em transe, sussurrando

E segurando a voz

Eu viajando no céu da boca

E você rasgando a minha roupa

Embaixo dos lençóis.”

A música voltava ao início. Raoul parou de cantar, mas não de dançar. Eu estava completamente arrebatada, vidrada, cada pedaço de mim, dentro ou fora, ligada a ele naquele momento. Era como se um vulcão entrasse em erupção em meu interior, rugindo, tomando conta de tudo. Agarrei-me forte em seus ombros, apertei-o, puxei-o contra mim com uma fome que me consumia viva.

(…)

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Comments
  • Maria Aparecida
    Responder

    Amo esse livro, já li umas 4 vezes.Parabéns Nana!

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