Oi, amados!!!
Olha eu aqui outra vez rsrs

Hoje trouxe para vocês um trechinho da nossa querida Malu, personagem principal do livro DE VOLTA AO PRAZER.

Vamos lá?

Com direito a música, imagens e mais!

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SINOPSE:

“De Volta ao Prazer” conta as aventuras de Maria Luísa Vargas, a Malu. Uma mulher de quarenta anos que nasceu em uma época de mudanças, foi criada de modo arcaico e tentou ser o que a família queria. Agora, recém-separada, algo dentro dela grita por liberdade. Malu toma as rédeas de sua vida e começa a viver e se redescobrir como mulher. Nesse percurso ela se envolve com um homem misterioso, que a faz repensar seus princípios e valores; um carismático ator pornô, que traz leveza a sua vida; um pacato lutador, que a faz perceber que não quer mais o comum e sim novas aventuras; um artista adepto de BDSM, que lhe dá novas experiências e um empresário prepotente que desperta seu lado forte e decisivo. Cada um dos personagens tem seus defeitos e qualidades e influenciam a protagonista em suas escolhas.

A história vai muito além da busca do prazer, mostra uma mulher que sente a pressão e o preconceito da sociedade. Aborda diversos temas como machismo, homossexualidade feminina, a valorização da mulher como profissional e as perdas sofridas ao longo da vida.

 

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Obs: Os trechos são dos capítulos 23 e 24. Resumindo, Malu vê um filme pornô de Fred. Está tão entretida, que não percebe que Sol, a senhora que trabalha em sua casa, entrou em seu quarto e o viu em ação na cena. Ela fica espantada com ele, chocada, sem imaginar que Malu o conhece. Nos próximos capítulos, Malu o convida para jantar em sua casa e não conta para Sol que é o ator que a impressionou tanto. A senhora toma um grande susto. Amo essa cena! kkkkkk

Beijos!

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*Em promoção por tempo limitado.

 

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CAPÍTULO 23

(…)

Deixei tudo pronto. Usando uma camiseta justa, uma saia e sandálias rasteiras, eu estava de banho tomado e dando os últimos retoques na salada, quando o interfone tocou. Corri para atender, excitada, ansiosa. Era o porteiro avisando que Fred havia chegado. Pedi que subisse.

Chico e Bernardo viam televisão na sala. Sol estava na cozinha comigo, conferindo se o sorvete da sobremesa estava na temperatura ideal. Avisou:

– Deixe que eu abro a porta.

Olhei para ela, com seu rabo de cavalo comprido, suas roupas comportadas, mal imaginando o que a esperava. Senti-me culpada e abri a boca para contar a ela quem era o convidado. Mas comecei a rir sem controle.

 

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– Meu Deus do céu, mas você até parece uma hiena hoje! Do que tanto ri, menina?

– Nada. – Tentei me controlar, mas meus olhos estavam cheios de lágrimas. – Nada não, Sol.

Olhou-me desconfiada. Eu desviei o olhar. Tinha que contar para ela. Mas meu lado perverso só queria ver sua reação.

 

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Quando a campainha tocou e Sol foi em direção ao Hall arrastando seus chinelos, eu fiquei nervosa, sem saber o que fazer. Mas apenas a segui e parei, quando segurou a maçaneta.

Ela abriu a porta e olhou para fora. Eu também.

Fred estava lá, alto e esguio, com seus ombros largos e seu cabelo maravilhoso brilhando como mogno, sensual e lindo em jeans e camisa escura. Segurando uma garrafa de vinho.

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Olhou para Sol e ela para ele. Vi como ficou paralisada um momento. Ele começou a sorrir quando, de repente, ela bateu a porta na cara dele. Senti o riso subir de maneira quase histérica, ainda mais quando ela abriu a porta de novo e o encarou. Vendo que Fred não era nenhuma aparição, mas real, Sol bateu a porta com força e se encostou nela, exclamando alto:

– Meu Senhor Jesus Cristo! As potestades do inferno vieram aqui! Me perdoe, meu Senhor! Eu pequei tendo pensamentos impuros com ele, mas por favor, perdoe a sua serva! Espante esse capeta! Juro me penitenciar! E jejuar.

A campainha tocou de novo. Dei um passo até ela, querendo falar, mas me sacudindo em risos que me faziam chorar. Sol se virou para mim com olhos arregalados e fez que não com a cabeça.

– Fique longe desta porta! É o capeta!

– Sol … Ahhhh … hahaha … – Eu ria tanto que meu estômago doía e as lágrimas pulavam dos meus olhos.  – É o … hahahaha … o meu …

Fred apertou a campainha de novo, na certa sem entender nada. Sol estava espremida contra a porta, como a impedir a entrada dele. Fechou os olhos e começou a orar fervorosamente. Consegui controlar o riso, nervosa, culpada. Segurei os ombros dela, tentando explicar:

– Não é o demônio, Sol. É o meu amigo.

Ela me olhou, balançando a cabeça.

– É o homem do filme, Malu. Aquele exagerado, aquele que …

– Eu sei. Ele é o Fred, meu amigo.

Arregalou os olhos. Muda. Chocada.

– Aquele homem tromba é seu amigo?

– É, Sol. Vem aqui. Deixe que eu abro a porta.

– Mas …

– Desculpe. Devia ter falado.

Ela deu um passo para o lado, começando a entender, me fuzilando com os olhos. Fiquei vermelha de vergonha e fugi do seu olhar. Abri a porta.

Fred estava confuso, com uma ruga entre as sobrancelhas. Perguntou baixo:

– O que está acontecendo?

– Nada. Só um mal entendido. – A vontade de rir veio de novo, mas lutei para me controlar.

– Está chorando?

– Não. Entre.

Em meio aquela loucura toda, eu estava feliz demais com ele ali. Assim que entrou, eu o abracei e na hora Fred me apertou e me beijou no alto da cabeça, com carinho, forte. Senti seu corpo, seu cheiro e tive vontade de gritar de tanta alegria. Até esqueci da Sol ali ao lado, nos olhando.

– Senti sua falta. – murmurei.

– Senti a sua. – Ele murmurou de volta.

 

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– Meu Jesus … – Murmurou Sol, me fazendo largar Fred e olhar para ele sorrindo.

Estava sério e lançou um olhar a Sol. Pareceu mais confuso quando a viu levar as duas mãos ao rosto e soltar um gritinho.

Ficou parado. Eu ia fazer as apresentações, mas tinha medo de abrir a boca e não conseguir mais parar de rir do ridículo da situação.

– É ele mesmo … – Ela murmurou, abismada, olhando-o por entre os dedos. Foi assim que desceu o olhar até o meio das pernas dele. – Meu pai! – Escondeu de novo o rosto atrás das mãos.

Fred me encarou. Falei com voz trêmula:

– Essa é Sol, que mora com a gente e me ajuda em tudo. Faz parte da família. E este é meu amigo Fred, Sol.

– Oi. É um prazer. – Disse educado, um pouco desconfiado com a reação dela. Como se entendesse parte do que acontecia, apertou um pouco os olhos e indagou: – A senhora viu algum filme meu?

– Não, não, eu juro! Juro que não! – Sol garantiu, agitada. – Nunca vi nada seu. Nada mesmo!

E olhou de novo horrorizada na direção de seu pênis. Correu para a cozinha, dizendo sobre os ombros:

– Preciso de uma água!

Quando ela sumiu, Fred levantou as sobrancelhas.

– O que foi isso?

– História longa. Depois te conto. – Segurei a mão dele, sorrindo, tão feliz como não me lembro de ter ficado um dia. – Vem aqui. Vou te apresentar os meus filhos.

E quando o levei para a sala, para dentro da minha casa, eu tive certeza de que a noite seria maravilhosa.

Era só Sol conseguir se controlar.

 

Capítulo 24

 

“Quando se aprende a amar.
O mundo passa a ser seu.
Quando se aprende a amar.
O mundo passa a ser seu. (…)”

 

(Legião Urbana – Se fiquei esperando meu amor passar)

 

 

Chico estava esparramado no sofá, atento no desenho do Bob Esponja que passava. Bernardo, em uma poltrona, parecia se concentrar em seu celular, mas seus olhos estavam erguidos e esperando que entrássemos na sala, alertado pela campainha que havia tocado. Fred entrou ao meu lado, observando-os.

– Meninos, este é meu amigo Fred. Meus filhos, Bernardo e Francisco. – Apresentei, sorrindo, mas levemente constrangida. Afinal, mesmo sendo realmente meu amigo, ele era o primeiro homem que eu levava em casa e apresentava. E eu sabia que Bernardo ainda estava desconfiado que fosse mais do que isso.

– Oi. – Fred sorriu para eles e foi engraçado vê-lo parecendo meio tímido. Meu sorriso aumentou.

– Oi. – Bernardo continuou praticamente do mesmo jeito. Só abaixou o celular.

Chico pulou do sofá, seus olhos brilhando para o convidado, vindo até nós animadamente:

– Pode me chamar de Chico, Fred. Agora somos amigos também, não é?

– Claro. – Na hora Fred sorriu. Não havia uma pessoa que não se derretesse logo com a simpatia do meu caçula. Estendeu a mão. – Tudo bem com você, Chico?

– Tudo bem. – Apertou sua mão e apontou para o sofá: – Vem ver Bob Esponja com a gente. Quem você vai ser? Eu sou o Bob Esponja, minha mãe é a Sandy e o Bernardo é o Lula Molusco, pois ele disse que o Patrick é burro demais. Quer ser o Patrick?

– Só tem essa opção? – Fred estava se divertindo ao acompanhá-lo para se sentar, mas lembrou da garrafa de vinho que ainda segurava e a estendeu para mim. – Trouxe para o nosso jantar.

– Obrigada. Vou colocar para gelar. E Chico … – Pisquei para o meu filho, sabendo como gostava de falar. – Feche um pouco essa matraca.

Ele riu, achando graça, se jogando no sofá. Fred sentou ao lado dele, esticando as pernas longas, dando um olhar meio indeciso para Bernardo, que continuava encarando-o. Mas Chico já chamava sua atenção:

– Pode ser o Seu Sirigueijo ou o Plâncton. Você gosta de ver desenho?

Sabendo que ele nem deixaria Fred respirar, sorri e fui até a cozinha colocar o vinho para gelar. Vi Sol lá, parada em frente a pia, bebendo água, uma garrafa quase vazia ao seu lado. Fiquei com vergonha de não ter contado antes para ela que meu amigo era Fred e fui cautelosa colocar o vinho na geladeira. Fiz um barulho com a garganta e comecei, um pouco arrependida:

– Sol, desculpe. Eu devia ter falado que …

Calei-me quando se virou e me encarou. Estava com as laterais do cabelo meio molhadas, como se tivesse lavado o rosto. Ainda assim, parecia agitada e apertou os olhos ameaçadoramente, acusando:

– Você fez de propósito!

– Sim. Desculpe. – Deixei o vinho lá dentro e fechei a porta da geladeira. – Foi uma brincadeira.

– Brincadeira, Malu? Pensei que fosse o “coisa ruim” me testando. Quando poderia imaginar que aquele … aquele … – Respirou fundo. – Homem do filme, fosse seu amigo?

– Verdade, não poderia imaginar.

 

– Que vergonha, meu Deus! E agora, o que faço?

– Não faz nada, Sol. Fred é um cara legal. Aquilo é só o trabalho dele.

– “Aquilo é só o trabalho dele” … – Imitou e fechou a cara. – Parece até que ele vende pirulito no trem! Pirulito não. Nem quero pensar nessas coisas. Bala. Um inocente vendedor de balas! – Bufou.

– Ah, pare de besteira. – Fui para perto dela e a abracei pelo ombro. – É só meu amigo e vai gostar dele. Só precisa esquecer qual o seu trabalho.

– Como? – Olhou-me fervorosamente. – Acha que já não tentei? Mas aquele negócio grande fica aqui me atormentando e achei que fosse montagem, só podia ser. Mas hoje olhei e … se murchinho já faz aquele volume todo, imagina se …Não quero nem imaginar!

Eu ri e a abracei mais, brincando:

– Isso é falta, Sol. Muito tempo sem homem dá nisso.

– Olha o respeito, menina! – Empurrou-me e me olhou feio. – Estou quase indo para meu quarto. Não vou aguentar passar mais vergonha.

– Pare com isso, Sol. Vai ficar assim cada vez que Fred vier aqui? Encare isso logo de frente. Daqui a pouco esquece o que viu.

– Nunca!

Forcei-me a não rir mais. Pedi com carinho:

– Vai ficar para o jantar, não é? Por favor.

Puxou o ar, ainda abalada.

– Vou tentar.

– Vem pra sala com a gente.

– Daqui a pouco eu vou. E levo umas bebidas para ele não pensar mal de mim. Deve estar achando que sou doida.

– Que nada! Então, tá. Espero você lá.

Beijei sua bochecha e voltei para a sala. Bernardo tinha deixado seu celular de lado e prestava atenção na conversa de Chico e Fred. Ou melhor, no interrogatório que inocentemente Chico fazia para Fred:

– Mas mora aqui perto?

– Na Lagoa. – Fred sorriu para mim quando sentei na outra ponta do sofá e Chico ficou no meio de nós dois. Sorri de volta, adorando tê-lo ali.

– E como conheceu minha mãe?

– Através de uma amiga em comum.

– Por que nunca veio aqui antes?

– Porque sua mãe só me convidou agora. – Falava tranquilamente, parecendo se divertir.

Chico pensou sobre aquilo e me fitou:

– Mãe, por que não convidou tio Fred antes?

– Tio Fred? – Achei graça.

– Já subi de título. – Fred comentou.

– Não tinha tido oportunidade ainda. Mas agora ele já sabe o caminho. – Pisquei e Fred me olhava com carinho.

– E vamos poder ir na sua casa também? – Chico voltou-se para ele, curioso. – O que tem lá?

– Com certeza, nada para criança. – Disse Bernardo.

– Tenho Xbox. – Fred contou e olhou um pouco mais comedido para meu filho mais velho. – Gosta de jogar?

– Prefiro jogar online no computador.

– Também gosto.

– Eu gosto mais do Xbox. Vamos jogar hoje?

– Chico, outra vez vocês fazem isso. – Comecei. Mas Fred me interrompeu:

– Sem problema. Mais tarde jogamos uma partida. Quais você gosta mais?

Eles ficaram em um papo animado sobre aquilo e eu só sorria. Foi assim que olhei para Bernardo, mas ele ainda parecia atento. Estiquei a mão e acariciei seu joelho. Sua expressão se aliviou mais. Como era ciumento!

– Você entende mesmo! – Chico exclamou, impressionado com os conhecimentos do seu novo amigo. – Podemos jogar agora?

– Depois, Chico. – Falei e ele concordou, sem fazer pirraça. Era impressionante, mas nunca fazia malcriação. Às vezes, quando queria alguma coisa, defendia seu ponto de vista. E eu adorava ver como, tão jovem ainda, procurava justificativas em sua defesa, sem apelar para choro e birra.

Encostou-se em mim e eu o abracei ternamente, enquanto dizia a Fred com cuidado, como se a vontade de jogar logo fosse dele:

– Depois do jantar a gente brinca.

– Conte comigo. – Fred concordou e sorriu, olhando-nos, parecendo admirar o fato de ficarmos ali no sofá abraçados.

 

Depois fitou Bernardo, que ainda se mantinha um tanto calado. E passou os olhos na sala, comentando:

– Seu apartamento é lindo, Malu. Aconchegante.

– Obrigada. Eu, Sol e os meninos o decoramos com coisas que gostamos, para não ficar impessoal.

– Tem a cara de vocês. Dá pra ver que aqui mora uma família.

Não sei por que, senti como se houvesse algo desejoso em seu tom de voz. Pelo que me havia dito dos pais, pela pressa com que havia voltado dos EUA, calculei que não tivesse tido muito aquela união familiar em sua vida.

Olhei-o, um homem feito, independente, até mesmo depravado e de bem consigo mesmo, mas ao mesmo tempo com alguma coisa de frágil, que me fazia ter vontade de cuidar dele como se fosse meu filho. Quis indagar como havia sido ver seus pais, mas sabia que ele não diria nada ali, na frente das crianças. Melhor esperar mais tarde para conversar. Se Fred tivesse vontade de falar.

Naquele momento, Sol entrou na sala trazendo uma bandeja com refrigerantes e cerveja. Havia copos, guardanapos e um pote redonda cheio de amendoins salgadinhos. Ela sabia que eu adorava comer amendoim tomando cerveja.

Levantei para ajudá-la a colocar tudo sobre a mesinha de centro, observando-a. Estava dura, séria, mal olhando para os lados. Como se não quisesse se distrair com alguma “coisa”.

– Obrigada, Sol. – Agradeci.

– De nada.

– Quero guaraná. – Pediu Chico. E ela já foi servindo a ele e a Bernardo, enquanto eu despejava cerveja num copo para mim e Fred.

– Obrigado. – Fred agradeceu quando lhe dei o copo cheio, mas olhava para Sol um pouco curioso, como a tentar entender o que tinha acontecido com ela ao recebê-lo na porta. Eu só sorria, voltando ao sofá.

Depois de dar as bebidas aos meninos, Sol já ia sair de fininho, mas falei:

– Fique aqui com a gente.

– Eu vou adiantar as coisas lá dentro e …

– Já está tudo pronto, Sol. Fique aqui. – Apontei para a outra poltrona. – Conheça melhor o Fred.

Isso bastou para que olhasse imediatamente para ele.

Fred a encarava. Sorriu devagar para ela, seus olhos cinzentos brilhando, aquele olhar penetrante causando furor em mim, imagine em Sol, já perturbada demais por ele.

Ela pareceu conter a respiração, tentando se manter firme e séria, mas eu a conhecia bem demais. Estava nervosa, agitada, seus olhos piscando mais que luzes natalinas. Muda.

– O que foi, Sol? – Indagou Chico, notando algo errado.

– Nada, não. – Para disfarçar, quis se ocupar de algo. Pegou a tigela com amendoim e foi nos servindo, dizendo meio apressada: – Vamos comer. Malu adora amendoim e espero que o senhor também goste.

– Senhor não, apenas Fred. Posso chamar você de Sol?

Ela se paralisou ao ser alvo da atenção dele e o olhou fixamente.

– Sim … – Murmurou, um tanto derretida. Ainda nervosa, mas tentando se acalmar, sorriu e estendeu a tigela a ele. Disse meio distraída: – Sirva-se à vontade. Se quiser, vou lá pegar mais para “você” … – Frisou a última palavra.

– Tem bastante aqui. Obrigado, Sol. – Fred deu uma piscada charmosa para ela e pegou um punhado de amendoins.

Eu, Chico e Bernardo olhávamos para eles. Não sei se os meninos notavam, mas era óbvio que Sol flertava meio sem se dar conta, meio encantada.

– Tem outras coisas também, se você quiser….experimentar. – Ofereceu, como se o mundo só se resumisse a Fred ali na sala. – Gosta de salame?

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Mal acabou de falar, arregalou os olhos, como se aquilo despertasse um alarme em sua mente. Na mesma hora seu autocontrole foi por água abaixo e seus olhos caíram para o colo de Fred. Mesmo morena, seu rosto ficou tinto e ela piscou mais, erguendo e abaixando os olhos, sem controle, dizendo apressada:

– Quero dizer, salame em fatias. Não inteiro, claro. Ninguém come inteiro. É que não faz bem comer só amendoim. Ainda mais por ser afrodisíaco e … Bem … Imagino que o senhor … você … não precise disso! Não mesmo!

Fred me olhou e sorriu meio safado e divertido. Já estava claro que ele entendia que Sol havia visto um de seus filmes e estava perturbada. E pelo que eu conhecia dele, não faria nada para aliviar o tormento de minha amiga. Sacudi a cabeça que não, mas seu sorriso só se ampliou.

Sol já largava o pote sobre a mesa para fugir dali, quando ele pediu com voz macia:

– Eu gostaria do salame, Sol. Em fatias, claro.

– Vou pegar! – E saiu praticamente correndo para a cozinha, esbaforida.

– O que ela tem? – Bernardo franziu o cenho.

– Sei lá. – Sorri, mas continuava a encarar Fred e ele a mim. Com cara de safado.

– Também quero salame. – Chico pediu.

– Só uma fatia ou não vai jantar.

– Tá bom, mãe.

– Fred, como foi sua viagem? – Perguntei, para distrair todo mundo.

– Tranquila. – Desviou os olhos e tomou um gole de sua cerveja, um pouco mais sério.

– Sua mãe está bem mesmo?

– Ótima.

– Que bom.

Nisso, Sol voltou à sala, trazendo um prato com salame fatiado. Estava séria e tudo parecia controlado e perfeito. Não fosse um detalhe. Ela estava com óculos escuros.

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Não acreditei naquilo, lembrando do dia na praia em que emprestei meus óculos para que ela olhasse os “documentos” dos homens sem ser tão descarada. Só podia estar assim para que Fred não notasse que seus olhos teimosos insistiam em ir para o que ele tinha entre as pernas.

Tive uma vontade danada de rir, mas me controlei o quanto pude. Mas era difícil, ainda mais vendo a cara surpresa com que Fred ficou ao vê-la. Chico foi o primeiro a se manifestar, intrigado:

– Por que está com esses óculos à noite?

Ela se aproximou de Fred e estendeu o prato de salame a ele. Podia imaginar onde estavam seus olhos, pois estava mais vermelha ainda. Explicou:

– Fui cortar cebola para a salada e comecei a chorar. Coloquei os óculos para parar. Somente isso.

– Ah, tá … – Chico aceitou prontamente a explicação. Mas Bernardo não:

– Mas Sol, você chora pelo cheiro forte da cebola, não por olhar para ela. Os óculos não adiantam nada.

– Você cozinha, Bernardo? – Embora se dirigisse a ele, seu rosto continuava na direção de Fred e sorri imaginando que ela se esbaldava apreciando o volume dele. – Como pode saber o que resolve?

– Mas isso qualquer um sabe. – Parecia confuso.

– E eu já fiz a salada. – Falei só para provocar, colocar mais lenha na fogueira. – Por que foi cortar cebola?

– Vocês são muito chatos, querem saber de tudo! – Reclamou.

– Obrigado, Sol. – Fred pegou algumas fatias de salame e sorriu para ela. – Acho que vou roubar você da Malu e te levar para a minha casa.

– Ah, meu Deus … – Murmurou agitada, sorrindo como uma boba.

– Olha que ela vai … – Brinquei.

– Vai nada. – Chico riu. – A Sol é nossa. Mas pode vir aqui de vez em quando, tio Fred.

– Sempre que quiser. – Emendou Sol. – Você e tudo que é seu.

– Tudo que é meu?

Essa pergunta dele a deixou sem graça e desconversou:

– Sim, se tiver um cachorro, um gato, pode trazer também.

Fred deu uma risada. Bernardo parecia achar que aquilo era papo de doido. Chico se animou:

– Você tem cachorro e gato, tio Fred?

– Não. Acabo não tendo tempo de cuidar, Chico.

Sol se acomodou na poltrona, seu rosto virado na direção de Fred, a cabeça meio inclinada para baixo. Podia jurar que ela tentava espiar por cima dos óculos sem dar na vista.

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– Mas por quê? Trabalha muito?

– Sim.

– E como! – Sol balançou a cabeça, distraída. – Deve ficar morto depois daquelas filmagens.

– Filmagens? – Foi Bernardo quem perguntou. – Você é ator?

– Misericórdia … – Murmurou Sol, dando-se conta que tinha falado demais.

Fred me olhou e fiquei muda. Ele disse cuidadoso:

– Sou.

– Que legal! Faz novelas? Filmes? – Chico estava todo feliz.

– Filmes. – Nunca tinha visto Fred tão cauteloso com as palavras. Foi aí que intervi:

– Os pais de Fred moram nos EUA e ele trabalhou mais lá do que aqui. Agora é escritor e da mesma agência que a minha. Ano que vem lança seu livro.

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– Que legal! Ator e escritor! – Chico se animou, mas felizmente mudei logo de assunto e vi como Fred relaxou. Eu também.

Tentamos conversar amenidades, comendo os petiscos e bebendo. Enquanto isso, Sol ficava quieta, atenta em Fred, um certo ar sonhador no rosto que me dava vontade de rir. Se continuasse daquele jeito, ia se apaixonar por ele.

Fiquei feliz ao ver como, aos poucos, Fred ia minando a resistência de Bernardo. Dava atenção aos dois, falava de um “youtuber” que havia conhecido e isso animava meu filho, que queria saber mais. Eu me sentia bem, relaxada, quase como a Sol, sem poder tirar os olhos dele. Não de seu pênis, mas de seu sorriso, do modo como era engraçado com Chico, do modo como olhava para mim com calor e carinho, como parecia bem em nossa casa.

Quando chegou a hora do jantar, fui antes aquecer a comida e Sol me ajudou a levar tudo para a mesa, felizmente tirando os ridículos óculos escuros. Quando Fred e os meninos chegaram, ela até tentou disfarçar, mas deu um a boa olhada para ele e respirou fundo, admirada. Mas Fred se sentou e a mesa felizmente o escondeu da cintura para baixo. Só assim para Sol conseguir comer em paz.

– Deixe que eu corto. – Sol se ofereceu e parou de pé ao lado da mesa, diante da travessa com a carne assada recheada, segurando garfo e faca.

– Hum … parece uma delícia. – Fred elogiou, sorrindo para mim. – Tem certeza que foi você que fez, Malu? Ou está tomando os créditos da Sol?

– Fui eu. – Sorri também, sentando ao seu lado esquerdo e nos servindo de vinho.

Bernardo colocava o macarrão pene no seu prato e eu já tinha posto o de Chico, com queijo parmesão ralado, além da salada. Ele tomava um gole do suco.

Sol sorriu toda derretida para Fred e explicou:

– Fui eu que ensinei a Malu a fazer carne assada recheada. Ensinei a temperar e deixar no molho, depois a fazer um furo no meio da carne. E pegar a calabresa. – Seus olhos tremeluziram e ela arfou nervosamente, sem poder controlá-los para cima e para baixo por Fred, quase fazendo curva para espiar embaixo da mesa. Ele sorria abertamente, seu olhar brilhante. – Tem que saber enfiar a calabresa na carne, para entrar tudinho. Quero dizer, é assim que se faz. Mas você deve saber bem, não é?

Só faltava ela babar em cima dele, meio aérea, como que dominada por pensamentos pornográficos, ainda segurando o garfo e a faca, a carne esquecida.

– Nunca fiz carne recheada na vida. – Fred se divertia, sua incredulidade abandonada, parecendo animado com as frases de duplo sentido de Sol. – Assim, não sei bem como fazer o furo na carne e introduzir a linguiça. Mas estou gostando da explicação, Sol.

– Ah, você sabe … – Riu nervosamente.

– Pelo amor de Deus, Sol! – Exclamei e lancei um olhar aos meninos. Bernardo parecia tentar entender se havia maldade ali. Chico reclamava:

– Quero logo meu pedaço de carne!

– Agora mesmo. – Finalmente ela começou a cortar a carne tenra e macia em uma fatia grossa. Quando chegou na parte da calabresa, olhou excitada para Fred, em um misto de nervosismo e tara. Eu alertei-a, para provocar, com vontade de rir:

– Jesus está vendo isso, Sol.

Na mesma hora ela se assustou e ficou séria, olhando para o que fazia, dizendo entre dentes:

– Estou só cortando a carne.

– Sei …

Fred sorria abertamente e rimos como dois bobos um para o outro.

Por fim, conseguimos nos servir e começar a comer. Mesmo sentada de frente para mim, ao lado direito de Fred, Sol parecia disposta a se concentrar, sem olhar para ele. Às vezes seus lábios se mexiam silenciosamente e achei que estivesse fazendo suas orações.

– Que delícia! – Fred lambeu os lábios e fechou os olhos, maravilhado. Depois sorriu pra gente. – Estou no paraíso!

– Gostou? – Eu estava toda boba.

– Demais! Melhor carne que já comi, pode ficar convencida, cara. E esse macarrão!

– Pênis. – Disse Sol de repente.

Eu me engasguei com o vinho. Chico riu alto. Bernardo exclamou:

– Sol!

Fred caiu na gargalhada e ela disse apressada, empalidecendo, levando a mão à boca:

– Meu Deus do céu! Eu quis dizer penne, o nome do macarrão! Não sei de onde saiu esse danado de … de …

– Tudo bem, entendemos.

– Pênis … – Repetiu Chico rindo. – É penne, Sol!

– Eu sei. Me perdoem. De onde surgiu isso, meu Jesus? – Estava nervosa, atrapalhada, tomando vários goles de água.

– É, de onde será que surgiu isso de repente? – Comentei, enquanto Fred não parava de rir. Minha vontade era de gargalhar também, mas me controlei.

Quando tudo parecia ter se acalmado e voltávamos a comer, Sol nem olhava mais para os lados. Mas o problema foi com quem ela se meteu. Outro homem ia fingir que nada daquilo estava acontecendo. Mas não Fred.

Olhei para ele e vi sua cara de safado, seus olhos brilhando, o sorriso brincando em seus lábios. Podia jurar que estava se divertindo demais e que provocaria Sol.

Quando me fitou, fiz um alerta com a expressão e o olhar, como a mandar pará-lo o que quer que planejasse, embora estivesse me divertindo com tudo aquilo. Mas não queria tirar Sol do sério, perturbá-la mais do que estava.

A resposta de Fred para mim foi um sorriso mais amplo e canalha. Então, atacou. Virou para Sol, que continuava com os olhos no prato e os lábios mexendo baixinho. Surpreendendo-a, segurou a mão dela sobre a mesa, ao lado do copo com água. Na mesma hora ergueu e arregalou os olhos para ele, muda, enquanto Fred dizia com uma voz baixa:

– Devo agradecer a você pela comida, Sol. Se não fossem seus ensinamentos culinários, Malu não teria feito um jantar tão delicioso. Você é uma ótima professora. Quem sabe não queira um dia me ensinar?

Ela abriu a boca, mas nenhum som saiu, como se estivesse hipnotizada. Sem ser exagerado, Fred acariciou de leve a mão dela e piscou um olho devagar.

– O que me diz?

– Eu … ensinar você? – Indagou.

– Sim. Na minha casa, se quiser. Não sei cozinhar, mas posso ensinar a você também algumas coisinhas que sei. Assim, ficamos quites.

– Coisinhas? – Murmurou, distraída, ainda mais quando Fred olhou para sua boca de modo sensual. – Assim, no diminutivo? Ou coisas maiores? Grandes mesmo?

– Do tamanho que você quiser.

Mordi os lábios para não rir e olhei para meus filhos. Chico comia distraído. Bernardo estava com o cenho franzido para os dois, prestando atenção.

– Ai, Jesus … – Ela arquejou e, como se estivesse satisfeito, Fred soltou-a, sorriu de modo quente e voltou a comer. Completou naturalmente:

– Vamos combinar um dia desses.

Sol estava desconcertada. Bebeu mais água e encheu novamente o copo. Afastou uns fios de cabelo do pescoço e a gola da camisa para o lado, como se estivesse cheia de calor. Mexeu-se na cadeira, dando olhares escaldantes a Fred, para logo depois voltar a comer e se concentrar em suas orações.

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Fui para perto de Fred e murmurei:

– Pare de brincar, ela vai ter um troço.

– Não estou fazendo nada. – Sussurrou, sorrindo para mim.

Conseguimos terminar de comer sem mais provocações. Eu levantei e fui buscar o sorvete no freezer, indagando a Sol:

– Precisa deixar um tempo fora da geladeira?

– Não, está na temperatura ideal. Bem macio. Nada de ficar duro como rocha.

E foi só falar em duro para que ela se agitasse de novo e virasse os olhos gulosos e nervosos para Fred, fazendo o possível para se controlar, mas sendo difícil. Ele aproveitou a deixa e atiçou:

– Engraçado você falar em duro como rocha, Sol. Sabia que meu sobrenome é Rocha?

– Só podia ser … – Quase gemeu.

– Por que você está esquisita, Sol? – Chico indagou curioso.

Isso bastou para que ela se controlasse, bem séria.  Garantiu:

– Estou normal. De onde tirou isso de esquisita, menino?

Chico sorriu, dando de ombros. Bernardo só olhava tudo, na certa sacando que Sol estava agitada por causa de Fred. Mas era educado demais para falar alguma coisa.

– Vamos tomar nosso sorvete. – Falei sorrindo, para desanuviar o ambiente, servindo todo mundo.

Por fim, conversamos amenidades. Bernardo pediu licença para escovar os dentes e Chico foi correndo para o quarto separar seus jogos preferidos para mostrar a Fred. Eu o servi com um café e ficamos na mesa tomando e batendo papo. Sol, como a fugir da tentação, foi lavar os pratos na pia, recusando o café, de costas pra gente.

Quando terminamos, fui levar as xícaras para a pia e Fred se levantou, perguntando:

– Onde é o banheiro?

– Tem um aqui. – Sol respondeu, apontando para o corredor. Foi cair na asneira de se virar para falar com ele e o viu levantar um pouco a cintura da calça. Na mesma hora seus olhos caíram para o meio das pernas dele e ela ficou com um ar meio perdido e sonhador. Como se nem percebesse o que fazia, perguntou baixinho, quase com desejo: – Vai fazer xixi?

Sacudi a cabeça do seu descaramento, na certa sonhando com ele abrindo a calça e segurando o pau para mijar. Fred pareceu pensar o mesmo, achando graça, dizendo em um tom inocente:

– Eu só quero lavar as mãos.

CELEBSPIX.RU

Ela corou. Fechou a bica e murmurou:

– Preciso ir para meu quarto. Hora de dormir.

– Ainda é cedo. – Falei.

– É a melhor coisa que faço, garanto. – Conseguiu olhar só para o rosto de Fred, séria. – Foi um prazer conhecer você. Seja sempre bem vindo.

– Eu que agradeço, Sol. Foi uma noite inesquecível para mim. – E não sei se em um puro gesto de carinho para acalmá-la ou em mais uma provocação para incendiar os pensamentos dela, Fred se aproximou e depositou um beijo casto em sua face, completando baixinho: – Tenha bons sonhos.

Sol quase derreteu, piscando meio apaixonada. Levou a mão à face beijada e sorriu. Mas por fim, se controlou e se afastou em direção ao corredor.

– Boa noite pra vocês.

– Boa noite.

– Boa noite, Sol. – Falei, encostando-me a pia.

Quando ela saiu, eu e Fred nos olhamos e sorrimos.

– Você é fogo. Fiquei com medo da Sol ter um ataque!

– Só fui atencioso com ela. Sou sempre assim com minhas fãs. – Aproximou-se mais, seus olhos concentrados em mim, intensos.

– Posso imaginar a atenção que você dá a elas. – Debochei.

– Você é minha fã também, Malu? – Parou perto, algo quente e sensual demais na maneira que me fitava. – Anda vendo meus filmes? Foi assim que Sol me conheceu?

– Não é nada disso. – Tentei escapar pela tangente, meus sentidos excitados, enquanto eu sorria e tentava disfarçar. – Foi só uma vez e sem querer. Ela chegou na hora.

– Só uma vez? Tem certeza?

– Duas. – Confessei.

– E por quê? Estava com saudades de mim?

Sua voz baixa, seu corpo perto do meu, seu cheiro, tudo aquilo me deixou nervosa. E só piorou, quando lembrei dele nu, das coisas que fazia. O desejo veio denso, serpenteando sem controle, me atiçando.

(…)

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Showing 3 comments
  • Ellen De Brito
    Responder

    muitooooooo bommmmmmmmm

  • Maria Aparecida
    Responder

    Maravilhoso! Ri tanto quando li essa passagem no livro e agora também. Essa Sol é muito engraçada.

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